Uma embalagem pode carregar mais do que sua função. Há uma cor que reconhecemos, um desenho que volta à memória, uma familiaridade que dispensa explicação. Quando esse repertório entra num mostrador, sua escala e seu contexto mudam.
Coqueiro propõe esse deslocamento. Os peixes e as ondas deixam de acompanhar um produto de consumo para organizar uma composição vestível. A leitura não depende de apagar a origem: nasce justamente do encontro entre a referência cotidiana e a caixa do relógio.
Em La Colombe Vivante, a transformação aparece de outro modo. O cartão bancário reaproveitado se torna suporte para a figura da pomba. Não se trata apenas de trocar uma imagem, mas de reconsiderar aquilo que uma superfície pode receber.
Reaproveitar não basta, por si só, para produzir uma obra. A escolha da escala, a posição dos elementos, o contraste e a execução dão direção ao gesto. É nessa passagem — de material disponível a decisão de linguagem — que o atelier concentra sua pesquisa.
Caderno do Atelier
PP Atelier — Curadoria do Tempo